sábado, 19 de junho de 2010
Porto Vintage
Este vídeo veio na sequência de um trabalho da disciplina Tecnologia dos Media - Vídeo com o objectivo de mostrar o Porto como um lugar divertido, turístico e atraente. Foi filmado no Porto e apartir de Gaia.
terça-feira, 15 de junho de 2010
"Direito ao «Lugar»"
Este vídeo foi produzido na continuação da Reportagem dos Sem-Abrigo feita a 01 de Junho. Todas as imagens captadas são fiés ao cenário encontrado na Reportagem. Este vídeo não é aconselhado a menores. Um muito OBRIGADA a todos os que tornaram isto possível. Este vídeo foi apresentado ontem no Seminário "Direito ao «Lugar»" realizado em Barcelos, pelo Projecto da APDES.
sábado, 5 de junho de 2010
Sem Abrigo, sem roupa, sem nada...
Por Liliana Laura Xavier Pestana
01.06.2010

Está um dia de verão, trinta graus sem vento e Manuel, com as suas rugas de expressão e de uma vida dura, já está à porta do "Projecto"(nome fictício do local) há espera das doutoras. “Oh senhora doutora há aí sumo? Não? Ah então eu aguento.” pede Manuel, ex sem-abrigo e ex toxicodependente, conseguiu ficar alojado num apartamento com a articulação do projecto cujo nome não pode ser revelado.
A Dra. Mariana pede a Manuel para ver onde vivia antes e onde vive agora “É lá perto do caminho-de-ferro. Eu mostro.” aponta Manuel entusiasmado. Já dentro do carro Manuel dá as direcções, e passando o caminho-de-ferro é visível uma cerca que rodeia um terreno baldio. Ao passar na cerca vandalizada, Manuel olha para trás desconfiada “Antes ninguém me podia ver entrar podiam roubar-me o lugar.” Seguindo o caminho de terra, pelo terreno baldio, surge um pavilhão desportivo e uma casa amarela por trás de um muro alto. “Eu já vivi na casa amarela, mas um homem que me viu lá botou-me para a rua e eu fiquei a viver ao lado”, Manuel sobe um muro com cerca de um metro e amavelmente ajuda as doutoras a subir.

Erva por todo o lado, parecia uma selva com mato até à cabeça e a perder de vista. Com bichinhos, pólen amarelo e silvado a puxar pela roupa e a arranhar a pele, Manuel indica o caminho para a pequena barraca já quase sem telhas. Com a porta entreaberta, presa pelos farrapos e cobertores no chão, é visível uma cama ainda feita, roupa pendurada por um fio de um lado ao outro deste cubículo que não tem mais do que um metro e pouco. “Eu dormia com as formigas e os caracóis, e agora nem televisão tenho!” pedincha Manuel às doutoras, que só quer um pouco de distracção.
“A minha maior felicidade foi a casa que as doutoras me deram! Merecem um abraço todos os dias.” Manuel mostra que lavava a roupa num dos três poços de pedra que se encontram ao lado do casebre. “Pois eu sei que o senhor é muito limpinho e arrumadinho!” evidencia a Dra. Mariana com orgulho no seu utente.
É visível expressão de felicidade e quase de orgulho de Manuel em mostrar onde não dorme mais. “Vamos à sua casa nova?” referiu a Dra. Mariana, ao que Manuel esboçou um grande e luminoso sorriso.
Rumo à casa nova é visível o retorno à civilização, bairro calmo, flores a decorar as entradas, já não é visível o mato e o silvado. Pessoas na rua a caminhar e Manuel apressa-se a abrir a porta do seu edifício para convidar a entrar. Manuel mostra o elevador que não funciona ao que a Dra. Mariana diz “O senhor Manuel carrega aqui e ele vem, até já está aqui olhe, é só abrir a porta!” O ex sem-abrigo espantado e iluminado retorquia “Ah, então é assim! Eu achei que estava avariado!” Já dentro do elevador a Dra. Mariana reflectia “Quem é que acredita que estivemos no mato onde vivia e agora estamos num elevador a caminho da sua casa?”

Neste edifício com já alguns anos, nervoso por aprovação, Manuel não consegue abrir a porta “Ainda não dei com o jeito destas chaves modernas”. Já no interior nota-se a calma, o silêncio, paredes despidas, não há mobília, nem uma cadeira para se sentar. No quarto de dormir, a cama feita com chinelos ao pé e no chão folhas de revistas colocadas direitinhas lado a lado impedem que a pouca roupa de Manuel toque no chão. À janela uma taça redonda de plástico com cigarros feitos à mão todos direitinhos e um cinzeiro improvisado. Uma das gavetas da cozinha tem um garfo, uma faca, uma colher de sopa e uma de sobremesa. O cheiro a limpo sentia-se no ar, Manuel é um homem asseado e organizado. “Com tanto espaço livre o que é que eu vou fazer? Ora vou improvisar!” Agora Manuel só pensa em arrumar carros para conseguir pagar a água, a luz e o gás no fim do mês, “e vou juntar dinheiro para passar tudo para meu nome!”
Regresso ao "Projecto" e lá se encontra Flávio, um rapaz novo, sem abrigo e toxicodependente que conseguiu sair das ruas graças a um amigo de infância que intercedeu por ele acolhendo-o. Bem vestido, com roupa limpa, Flávio não parece estar com boa cara. Pálido, sem olhar nos olhos, nervoso a olhar para todo o lado, mas sem ver nada, a Dra. Mariana pergunta “Estás bem? Consumiste?” ao que Flávio retorquia “Tou a ressacar mas tou bem!”. Flávio dormia numa velha casa abandonada com o irmão de Manuel. “Arranjamos um colchão e um sofá velho, eu dormia no sofá e o irmão do Manuel dormia no colchão. Às vezes vinham aí amigos meus e eu os deixava ficar, o Irmão do Manuel também não dizia nada. Agora não sei o sítio do irmão do Manuel. Eu só vinha dormir e arrancava. Eu ia lá abaixo comprar, o traficante só podia às 10 horas, consumia e bazava.”

Flávio olha a casa que outrora fora sua, carbonizada e destruída, sem muito para ver. “Havia gente que vinha consumir para aqui.” aponta Flávio para uma divisão da casa cheia de lixo que não ficou queimada pelo fogo. Flávio afasta-se olhando para o chão, recordando os momentos passados naquela que outrora chamara de casa.
Seguindo em direcção à câmara, e estacionada a carrinha, Henrique, toxicodependente e sem-abrigo chega-se para falar com as doutoras receoso. Com as unhas curtas e castanhas de terra, com a cara suja, este rapaz novo já tem sangue nas pequenas mãos. Matou um homem com uma faca no coração, por razões desconhecidas. A mãe que morreu faz algum tempo e foi a razão pela qual agora arruma carros a troco de dinheiro para a próxima dose. Henrique dorme ao ar livre numas escadas com uma prostituta, a Joana também toxicodependente. “Ela arranja dinheiro lá com as formas dela. Ela acorda-me de noite a tossir. Aquele catarro castanho, epa ela tem (tuberculose). Aquilo parece gelatina castanha que se cola à parede, que nojo! Até me viro para o lado para ela tossir nas minhas costas, viro-lhe o cu.” Dormir nas escadas ao relento é normal para Henrique, “Chego ali deito-me e acordo de manhã, mais nada. Um dia acordei sobressaltado, uma cobra! E estava a puta a andar na estrada! Aquilo está cheio de bichos, às vezes acordo com bichos a ferrarem-me na cara, não é bom.” diz Henrique impaciente por voltar ao “trabalho”. Iniciou-se na metadona para deixar a droga “Só fumo (droga) quando me fodem a cabeça!” replica Henrique quase que irritado, afasta-se e corre para arrumar um carro que chega “Amigo, aqui amigo”.
Com a autorização de Henrique as doutoras foram visitar o local. Com o sol lá no alto, a transpirar e de camisolas molhadas coladas às costas, encontram finalmente as escadas onde dorme Henrique e Joana. Casas com piscina, formas arquitectónicas futuristas, jardins bem cuidados. Um colchão e alguns cobertores são o que compõem a cama deste casal. Formigas passeiam entre os cobertores e moscas pousam naquela dormida improvisada.

Ao fundo das escadas um monte de lixo cobre o chão, pratas de consumo, comida podre e mocas a sobrevoar o forte cheiro de decomposição da lixeira. A parede suja de mãos e de dedos como se uma briga tivesse acontecido ali, na casa adaptada a dois tóxicos. “Às vezes eles trazem amigos para se drogarem todos juntos, ao fim-de-semana, mas se fazem muito barulho e digo logo para irem embora porque eu tenho que trabalhar! Já mandei fazer umas grades para tapar essa merda para eles não entrarem.” diz o dono, de cabelo grisalho, surgindo na janela do prédio ao qual as escadas pertencem. “Eu só não lhe rebento a cara por respeito à rapariga, coitada não tem culpa. Mas ele é um ladrão, rebentou-me uma casa que eu tinha toda pintada e arranjada. Eles às vezes discutem, chamam um ao outro drogado e eu venho cá fora e tento acalmá-los.” diz descontente, evidenciando as brigas constantes de casal.

“Não sei como é que eles conseguem viver com este pivete! São animais! Isto é um nojo!” diz o dono do prédio quanto ao cheiro que se faz sentir. O cheiro é tão forte que pica nos olhos e fere as narinas. As doutoras pedem paciência ao dono do prédio, logo que possível vão tirá-los daí. Mas não é tarefa fácil, o projecto tem várias etapas das quais o utente tem que se qualificar. Henrique ainda não é qualificável para receber casa, pois ainda é toxicodependente.
Em direcção a outra casa um pouco mais longe do centro, num terreno baldio, coberto de terra avista-se uma casa ao fundo de janelas partidas. A medo, a Dra. Mariana bateu palmas como sinal de aviso de chegada “Está alguém aí?” gritou.
Sem resposta avançam em direcção a uma casa abandonada, com os vidros partidos, uma porta entreaberta convida-nos a entrar para a imensidão de lixo no chão daquela que parecia ser a garagem.

Um peluche no meio de tanto lixo sobressai ao cheiro putrefacto emanado daquele local.
Subimos para o primeiro andar onde a Dra. Mariana voltou a perguntar “Oh da casa, está alguém?” Sem objecções avançamos para o interior da casa a muito receio do que poderia ser encontrado. Lixo, lixo por todo o lado, mal conseguem andar nas divisões cheias de material utilizado para a droga. Uma das divisões tinha a porta fechada. A Dra. Mariana aproximou-se e bateu à porta, ninguém responde, então tenta a sua sorte. Consegue abrir, mas sai correndo “Ah meu Deus que cheiro!” e corre para a rua de mão no nariz.

Por trás daquela porta, que quase nem dava para abrir estava uma cama com montes de coisas em cima, duas velas no chão, uma acesa provavelmente por causa do cheiro. Lixo em cima da cama e espalhado pelo chão, lâminas na mesa-de-cabeceira e uma banheira com água castanha quase preta, se calhar usada para se lavarem. Mas o cheiro era intragável, o pior de todos os cheiros sentidos hoje!

Parecia que algum animal aí tinha morrido. É um cheiro que provoca vómitos instantâneos, tal era a poluição. Existem mesmo pessoas que vivem ali. Com aquele cheiro, com aquele lixo e a mesma água.
01.06.2010
Está um dia de verão, trinta graus sem vento e Manuel, com as suas rugas de expressão e de uma vida dura, já está à porta do "Projecto"(nome fictício do local) há espera das doutoras. “Oh senhora doutora há aí sumo? Não? Ah então eu aguento.” pede Manuel, ex sem-abrigo e ex toxicodependente, conseguiu ficar alojado num apartamento com a articulação do projecto cujo nome não pode ser revelado.
A Dra. Mariana pede a Manuel para ver onde vivia antes e onde vive agora “É lá perto do caminho-de-ferro. Eu mostro.” aponta Manuel entusiasmado. Já dentro do carro Manuel dá as direcções, e passando o caminho-de-ferro é visível uma cerca que rodeia um terreno baldio. Ao passar na cerca vandalizada, Manuel olha para trás desconfiada “Antes ninguém me podia ver entrar podiam roubar-me o lugar.” Seguindo o caminho de terra, pelo terreno baldio, surge um pavilhão desportivo e uma casa amarela por trás de um muro alto. “Eu já vivi na casa amarela, mas um homem que me viu lá botou-me para a rua e eu fiquei a viver ao lado”, Manuel sobe um muro com cerca de um metro e amavelmente ajuda as doutoras a subir.
Erva por todo o lado, parecia uma selva com mato até à cabeça e a perder de vista. Com bichinhos, pólen amarelo e silvado a puxar pela roupa e a arranhar a pele, Manuel indica o caminho para a pequena barraca já quase sem telhas. Com a porta entreaberta, presa pelos farrapos e cobertores no chão, é visível uma cama ainda feita, roupa pendurada por um fio de um lado ao outro deste cubículo que não tem mais do que um metro e pouco. “Eu dormia com as formigas e os caracóis, e agora nem televisão tenho!” pedincha Manuel às doutoras, que só quer um pouco de distracção.
“A minha maior felicidade foi a casa que as doutoras me deram! Merecem um abraço todos os dias.” Manuel mostra que lavava a roupa num dos três poços de pedra que se encontram ao lado do casebre. “Pois eu sei que o senhor é muito limpinho e arrumadinho!” evidencia a Dra. Mariana com orgulho no seu utente.
É visível expressão de felicidade e quase de orgulho de Manuel em mostrar onde não dorme mais. “Vamos à sua casa nova?” referiu a Dra. Mariana, ao que Manuel esboçou um grande e luminoso sorriso.
Rumo à casa nova é visível o retorno à civilização, bairro calmo, flores a decorar as entradas, já não é visível o mato e o silvado. Pessoas na rua a caminhar e Manuel apressa-se a abrir a porta do seu edifício para convidar a entrar. Manuel mostra o elevador que não funciona ao que a Dra. Mariana diz “O senhor Manuel carrega aqui e ele vem, até já está aqui olhe, é só abrir a porta!” O ex sem-abrigo espantado e iluminado retorquia “Ah, então é assim! Eu achei que estava avariado!” Já dentro do elevador a Dra. Mariana reflectia “Quem é que acredita que estivemos no mato onde vivia e agora estamos num elevador a caminho da sua casa?”
Neste edifício com já alguns anos, nervoso por aprovação, Manuel não consegue abrir a porta “Ainda não dei com o jeito destas chaves modernas”. Já no interior nota-se a calma, o silêncio, paredes despidas, não há mobília, nem uma cadeira para se sentar. No quarto de dormir, a cama feita com chinelos ao pé e no chão folhas de revistas colocadas direitinhas lado a lado impedem que a pouca roupa de Manuel toque no chão. À janela uma taça redonda de plástico com cigarros feitos à mão todos direitinhos e um cinzeiro improvisado. Uma das gavetas da cozinha tem um garfo, uma faca, uma colher de sopa e uma de sobremesa. O cheiro a limpo sentia-se no ar, Manuel é um homem asseado e organizado. “Com tanto espaço livre o que é que eu vou fazer? Ora vou improvisar!” Agora Manuel só pensa em arrumar carros para conseguir pagar a água, a luz e o gás no fim do mês, “e vou juntar dinheiro para passar tudo para meu nome!”
Regresso ao "Projecto" e lá se encontra Flávio, um rapaz novo, sem abrigo e toxicodependente que conseguiu sair das ruas graças a um amigo de infância que intercedeu por ele acolhendo-o. Bem vestido, com roupa limpa, Flávio não parece estar com boa cara. Pálido, sem olhar nos olhos, nervoso a olhar para todo o lado, mas sem ver nada, a Dra. Mariana pergunta “Estás bem? Consumiste?” ao que Flávio retorquia “Tou a ressacar mas tou bem!”. Flávio dormia numa velha casa abandonada com o irmão de Manuel. “Arranjamos um colchão e um sofá velho, eu dormia no sofá e o irmão do Manuel dormia no colchão. Às vezes vinham aí amigos meus e eu os deixava ficar, o Irmão do Manuel também não dizia nada. Agora não sei o sítio do irmão do Manuel. Eu só vinha dormir e arrancava. Eu ia lá abaixo comprar, o traficante só podia às 10 horas, consumia e bazava.”
Flávio olha a casa que outrora fora sua, carbonizada e destruída, sem muito para ver. “Havia gente que vinha consumir para aqui.” aponta Flávio para uma divisão da casa cheia de lixo que não ficou queimada pelo fogo. Flávio afasta-se olhando para o chão, recordando os momentos passados naquela que outrora chamara de casa.
Seguindo em direcção à câmara, e estacionada a carrinha, Henrique, toxicodependente e sem-abrigo chega-se para falar com as doutoras receoso. Com as unhas curtas e castanhas de terra, com a cara suja, este rapaz novo já tem sangue nas pequenas mãos. Matou um homem com uma faca no coração, por razões desconhecidas. A mãe que morreu faz algum tempo e foi a razão pela qual agora arruma carros a troco de dinheiro para a próxima dose. Henrique dorme ao ar livre numas escadas com uma prostituta, a Joana também toxicodependente. “Ela arranja dinheiro lá com as formas dela. Ela acorda-me de noite a tossir. Aquele catarro castanho, epa ela tem (tuberculose). Aquilo parece gelatina castanha que se cola à parede, que nojo! Até me viro para o lado para ela tossir nas minhas costas, viro-lhe o cu.” Dormir nas escadas ao relento é normal para Henrique, “Chego ali deito-me e acordo de manhã, mais nada. Um dia acordei sobressaltado, uma cobra! E estava a puta a andar na estrada! Aquilo está cheio de bichos, às vezes acordo com bichos a ferrarem-me na cara, não é bom.” diz Henrique impaciente por voltar ao “trabalho”. Iniciou-se na metadona para deixar a droga “Só fumo (droga) quando me fodem a cabeça!” replica Henrique quase que irritado, afasta-se e corre para arrumar um carro que chega “Amigo, aqui amigo”.
Com a autorização de Henrique as doutoras foram visitar o local. Com o sol lá no alto, a transpirar e de camisolas molhadas coladas às costas, encontram finalmente as escadas onde dorme Henrique e Joana. Casas com piscina, formas arquitectónicas futuristas, jardins bem cuidados. Um colchão e alguns cobertores são o que compõem a cama deste casal. Formigas passeiam entre os cobertores e moscas pousam naquela dormida improvisada.
Ao fundo das escadas um monte de lixo cobre o chão, pratas de consumo, comida podre e mocas a sobrevoar o forte cheiro de decomposição da lixeira. A parede suja de mãos e de dedos como se uma briga tivesse acontecido ali, na casa adaptada a dois tóxicos. “Às vezes eles trazem amigos para se drogarem todos juntos, ao fim-de-semana, mas se fazem muito barulho e digo logo para irem embora porque eu tenho que trabalhar! Já mandei fazer umas grades para tapar essa merda para eles não entrarem.” diz o dono, de cabelo grisalho, surgindo na janela do prédio ao qual as escadas pertencem. “Eu só não lhe rebento a cara por respeito à rapariga, coitada não tem culpa. Mas ele é um ladrão, rebentou-me uma casa que eu tinha toda pintada e arranjada. Eles às vezes discutem, chamam um ao outro drogado e eu venho cá fora e tento acalmá-los.” diz descontente, evidenciando as brigas constantes de casal.
“Não sei como é que eles conseguem viver com este pivete! São animais! Isto é um nojo!” diz o dono do prédio quanto ao cheiro que se faz sentir. O cheiro é tão forte que pica nos olhos e fere as narinas. As doutoras pedem paciência ao dono do prédio, logo que possível vão tirá-los daí. Mas não é tarefa fácil, o projecto tem várias etapas das quais o utente tem que se qualificar. Henrique ainda não é qualificável para receber casa, pois ainda é toxicodependente.
Em direcção a outra casa um pouco mais longe do centro, num terreno baldio, coberto de terra avista-se uma casa ao fundo de janelas partidas. A medo, a Dra. Mariana bateu palmas como sinal de aviso de chegada “Está alguém aí?” gritou.
Sem resposta avançam em direcção a uma casa abandonada, com os vidros partidos, uma porta entreaberta convida-nos a entrar para a imensidão de lixo no chão daquela que parecia ser a garagem.
Um peluche no meio de tanto lixo sobressai ao cheiro putrefacto emanado daquele local.
Subimos para o primeiro andar onde a Dra. Mariana voltou a perguntar “Oh da casa, está alguém?” Sem objecções avançamos para o interior da casa a muito receio do que poderia ser encontrado. Lixo, lixo por todo o lado, mal conseguem andar nas divisões cheias de material utilizado para a droga. Uma das divisões tinha a porta fechada. A Dra. Mariana aproximou-se e bateu à porta, ninguém responde, então tenta a sua sorte. Consegue abrir, mas sai correndo “Ah meu Deus que cheiro!” e corre para a rua de mão no nariz.
Por trás daquela porta, que quase nem dava para abrir estava uma cama com montes de coisas em cima, duas velas no chão, uma acesa provavelmente por causa do cheiro. Lixo em cima da cama e espalhado pelo chão, lâminas na mesa-de-cabeceira e uma banheira com água castanha quase preta, se calhar usada para se lavarem. Mas o cheiro era intragável, o pior de todos os cheiros sentidos hoje!
Parecia que algum animal aí tinha morrido. É um cheiro que provoca vómitos instantâneos, tal era a poluição. Existem mesmo pessoas que vivem ali. Com aquele cheiro, com aquele lixo e a mesma água.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Trabalho de Infografia
Infografia
O que é a infografia? Informação + Gráfica
Informador tem a estrutura e o Receptor a compreenção, memorização. A mensagem passada do informador para o receptor.
Como:
1- Encontrar informação através da pesquisa
2- Avaliá-la e analisá-la com um planeamento
3- Comunicá-la atravez do desenho de elementos
4 Conseguir adequá-la ao tema, integração dos contrúdos e sua publicação
Decisões a tomar:
- História Linear, com início e fim, pode parar, assinalar, repetir e mudar a forma de ver
- Não Linear, módulos de navegão livre e apresentação de vários níveis de planeamento
-Interacção:
- Instrução Simples
- Manipulação - mudar características físicas dos objectos
- Exploração - Liberdade total
Graus:
1- Mínimo - avançar e recuar horizontal
2- Base - Rollover e um nível vertical
3- Médio - mista de tendências horizontal, mas com nível de profundidade
4- Avançada - tendência vertical com 2/3 de profundidade, objectivos manipuláveis navegação livre.
Fase de Planeamento
1- Compilar os elementos informativos disponíveis
Importante: A infografia jornalística é jornalismo; utiliza uma linguagem jornalística, a imagem é absolutamente necessária para compor a notícia.
* Imagem + texto
Estrutura
+ Título - expressa o conteúdo, mais o lead, mais a imagem inicial e immagens compostas
+ Texto - explicativo, mas não redundante mais legendas
+ Corpo - cuidadosamente composto, sem excesso de elementos visuais ou textuais
+ Fonte - oficial, com pesquisa cuidada
- Infografia
- Narrativa: explica algo, narra algo
- Instrutiva: explicam algo, ex: Ovo Kinder
- Exploratória: oportunidade de explorar
- Simulatórias: experiência do mundo real
Exemplos de Infografias:








.jpg)


A Infografia realizada no âmbito da Disciplina Design de Comunicação Visual teve como base o Antigo Egipto, nomeadamente o Processo de mumificação. Para completar o presente trabalho foi acrescentado um pouco de história sobre o Processo.
Infografia

Mumificação
A mumificação é a preservação do corpo para o pós-morte. Os antigos egípcios acreditavam na via após a morte e na ideia da necessidade dos mesmos bens materiais após a morte. O processo para a mumificação durava 70 dias.
Método: Primeiro os sacerdotes purificavam o corpo do morto, ao qual referiam como Osíris, com água do Nilo, enquanto um dos sacerdotes usava a máscara de Anúbis e citava o processo de mumificação do "Livro dos Mortos" (que na verdade significa saída para a luz, renascimento). Em seguida Osíris era coberto de natrão (cristais de sal) e secava durante 40 dias.
Após este período iniciavam o processo de extracção dos orgãos internos, extraíam o cérebro com um gancho que enfiavam pelo nariz, torciam algumas vezes, retiravam o gancho com o cérebro e deitavam-no no lixo pois acreditavam que não servia para nada. Logo, faziam um corte na virilha esquerda e o embalsamador enfiava a mão e retirava todos os orgãos colocando-os em quatro "vasos canópicos". Muito raramente tiravam o coração pois este seria posteriormente pesado por Anúbis contra o peso de uma pluma para passar para obter a imortalidade, a vida eterna após a morte. Depois enchiam as cavidades com linho e substâncias aromáticas ou pedras pintadas de branco. A incisão era fechada com uma placa de ouro para a não-evasão por espíritos.
Começavam a enfeixar o corpo pelos dedos das mãos ou dos pés, com 2 faixas representando as duas irmãs, Ísis e Néftis a abraçar Osíris. À medida que iam colocando as faixas, colocavam amuletos entre as ligaduras, principalmente escaravelhos. Só após o fim deste processo é que são chamadas múmias. A múmia era colocada num sarcófago de pedra e colocavão uma máscara com as suas feições para impedir que se perdesse a sua identidade. Após a procissão até ao túmulo abriam a boca à múmia para iniciar o percurso pelo mundo além túmulo. Colocavam papiros com inscrições do "Livro dos Mortos" junto ao corpo e na cabeça. No túmulo colocavam tudo o que a múmia usava na vida terrena para poder usar na vida espiritual, até mesmo comida. Por vezes os criados eram enterrados com os amos/donos, ingeriam veneno voluntáriamente.
Os sacerdotes faziam inscrições religiosas e mágicas de auxílio na sua longa viagem, foi através da Mumificação que deu origem à alquimia.
Este trabalho foi provavelmente o mais bem elaborado até agora, devido ao facto das técnicas de utilização do Photoshop e Freehand já estarem interiorizadas. Sendo assim o tema escolhido para a infografia foi o Processo de mumificação, no Egipto. Primeiro foi feita uma pesquisa na internet e na biblioteca de Letras no sentido de encontrar a maneira mais correcta. Com a pesquisa concluída iniciamos a busca por imagens que façam alusão ao tema escolhido. Com as imagens já escolhidas e definidas foi colocado a imagem de um papiro de fundo e foi criado uma espécie de tiras horizontais nas bordas do papiro. As imagens foram cortadas e colocadas sobre o trabalho assim como o texto, em que a fonte da letra era Papiro. Os programas utilizados neste trabalho foram o Photoshop e o Freehand. Esta infografia com intuito jornalístico possui título, lead, texto principal e curiosidade de modo a ser o mais completo possível. A informação foi o mais complicado de encontrar devido às diferentes versões que o mesmo processo possuí. As imagens não foram tratadas pelo seguinte motivo, o objectivo era manter o processo o mais fiel possível ao que acontecia no passado, daí as imagens não terem sido alteradas, só mesmo o tamanho das imagens, mas a cor não. É essencial ter em conta a afinidade que as pessoas possuem por determinados assuntos, e este assunto em particular, se fosse mudado, os visualizadores deixariam de ter a tal afinidade que possuíam. Foi talvez o trabalho elaborado e mesmo assim simples conseguido nesta disciplina.
O que é a infografia? Informação + Gráfica
Informador tem a estrutura e o Receptor a compreenção, memorização. A mensagem passada do informador para o receptor.
Como:
1- Encontrar informação através da pesquisa
2- Avaliá-la e analisá-la com um planeamento
3- Comunicá-la atravez do desenho de elementos
4 Conseguir adequá-la ao tema, integração dos contrúdos e sua publicação
Decisões a tomar:
- História Linear, com início e fim, pode parar, assinalar, repetir e mudar a forma de ver
- Não Linear, módulos de navegão livre e apresentação de vários níveis de planeamento
-Interacção:
- Instrução Simples
- Manipulação - mudar características físicas dos objectos
- Exploração - Liberdade total
Graus:
1- Mínimo - avançar e recuar horizontal
2- Base - Rollover e um nível vertical
3- Médio - mista de tendências horizontal, mas com nível de profundidade
4- Avançada - tendência vertical com 2/3 de profundidade, objectivos manipuláveis navegação livre.
Fase de Planeamento
1- Compilar os elementos informativos disponíveis
Importante: A infografia jornalística é jornalismo; utiliza uma linguagem jornalística, a imagem é absolutamente necessária para compor a notícia.
* Imagem + texto
Estrutura
+ Título - expressa o conteúdo, mais o lead, mais a imagem inicial e immagens compostas
+ Texto - explicativo, mas não redundante mais legendas
+ Corpo - cuidadosamente composto, sem excesso de elementos visuais ou textuais
+ Fonte - oficial, com pesquisa cuidada
- Infografia
- Narrativa: explica algo, narra algo
- Instrutiva: explicam algo, ex: Ovo Kinder
- Exploratória: oportunidade de explorar
- Simulatórias: experiência do mundo real
Exemplos de Infografias:








.jpg)


A Infografia realizada no âmbito da Disciplina Design de Comunicação Visual teve como base o Antigo Egipto, nomeadamente o Processo de mumificação. Para completar o presente trabalho foi acrescentado um pouco de história sobre o Processo.
Infografia

Mumificação
A mumificação é a preservação do corpo para o pós-morte. Os antigos egípcios acreditavam na via após a morte e na ideia da necessidade dos mesmos bens materiais após a morte. O processo para a mumificação durava 70 dias.
Método: Primeiro os sacerdotes purificavam o corpo do morto, ao qual referiam como Osíris, com água do Nilo, enquanto um dos sacerdotes usava a máscara de Anúbis e citava o processo de mumificação do "Livro dos Mortos" (que na verdade significa saída para a luz, renascimento). Em seguida Osíris era coberto de natrão (cristais de sal) e secava durante 40 dias.
Após este período iniciavam o processo de extracção dos orgãos internos, extraíam o cérebro com um gancho que enfiavam pelo nariz, torciam algumas vezes, retiravam o gancho com o cérebro e deitavam-no no lixo pois acreditavam que não servia para nada. Logo, faziam um corte na virilha esquerda e o embalsamador enfiava a mão e retirava todos os orgãos colocando-os em quatro "vasos canópicos". Muito raramente tiravam o coração pois este seria posteriormente pesado por Anúbis contra o peso de uma pluma para passar para obter a imortalidade, a vida eterna após a morte. Depois enchiam as cavidades com linho e substâncias aromáticas ou pedras pintadas de branco. A incisão era fechada com uma placa de ouro para a não-evasão por espíritos.
Começavam a enfeixar o corpo pelos dedos das mãos ou dos pés, com 2 faixas representando as duas irmãs, Ísis e Néftis a abraçar Osíris. À medida que iam colocando as faixas, colocavam amuletos entre as ligaduras, principalmente escaravelhos. Só após o fim deste processo é que são chamadas múmias. A múmia era colocada num sarcófago de pedra e colocavão uma máscara com as suas feições para impedir que se perdesse a sua identidade. Após a procissão até ao túmulo abriam a boca à múmia para iniciar o percurso pelo mundo além túmulo. Colocavam papiros com inscrições do "Livro dos Mortos" junto ao corpo e na cabeça. No túmulo colocavam tudo o que a múmia usava na vida terrena para poder usar na vida espiritual, até mesmo comida. Por vezes os criados eram enterrados com os amos/donos, ingeriam veneno voluntáriamente.
Os sacerdotes faziam inscrições religiosas e mágicas de auxílio na sua longa viagem, foi através da Mumificação que deu origem à alquimia.
Este trabalho foi provavelmente o mais bem elaborado até agora, devido ao facto das técnicas de utilização do Photoshop e Freehand já estarem interiorizadas. Sendo assim o tema escolhido para a infografia foi o Processo de mumificação, no Egipto. Primeiro foi feita uma pesquisa na internet e na biblioteca de Letras no sentido de encontrar a maneira mais correcta. Com a pesquisa concluída iniciamos a busca por imagens que façam alusão ao tema escolhido. Com as imagens já escolhidas e definidas foi colocado a imagem de um papiro de fundo e foi criado uma espécie de tiras horizontais nas bordas do papiro. As imagens foram cortadas e colocadas sobre o trabalho assim como o texto, em que a fonte da letra era Papiro. Os programas utilizados neste trabalho foram o Photoshop e o Freehand. Esta infografia com intuito jornalístico possui título, lead, texto principal e curiosidade de modo a ser o mais completo possível. A informação foi o mais complicado de encontrar devido às diferentes versões que o mesmo processo possuí. As imagens não foram tratadas pelo seguinte motivo, o objectivo era manter o processo o mais fiel possível ao que acontecia no passado, daí as imagens não terem sido alteradas, só mesmo o tamanho das imagens, mas a cor não. É essencial ter em conta a afinidade que as pessoas possuem por determinados assuntos, e este assunto em particular, se fosse mudado, os visualizadores deixariam de ter a tal afinidade que possuíam. Foi talvez o trabalho elaborado e mesmo assim simples conseguido nesta disciplina.
Subscrever:
Comentários (Atom)